Fernando Valença contesta Vitorio Rodrigues

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Se você já a carta poatada anteriormente que enviei ao Dr. otavio Carvalho, leia agora esta de Fernando Valença me contestando. Despois iremos para o debate.

Recife - PE, 10 de dezembro de 2008

Prezado Vitório Rodrigues de Andrade,

Minhas palavras iniciais para cumprimentá-lo, dada a trajetória notável que vem percorrendo: parabéns! É de paradigmas assim que esta Nação carece... faz tempo.

Li sua exemplar biografia e a carta que se dignou escrever para o Eng. Civil Dr. Otávio Carvalho que, acrescente a méritos profissionais que você atesta, o de ser ele favorável ao Projeto São Francisco; em particular, à Transposição de água do Rio São Francisco para o semi-árido do NE setentrional. Isto me estimula a lavrar com maior satisfação estas modestas linhas e comentários, dada minha condição de leigo (tecnicamente considerando), porém, credenciado para defender incondicionalmente aquele Projeto:
a obra de engenharia hídrica mais bem concebida, em matéria de TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUA, pela Engenharia humana!
Quero apresentar-me: sou sertanejo, criado no cariri mais seco e pobre do mundo! Você nunca viu nada igual, lá pelos confins da serra do Coró, entre Coxixola e Caraúbas, na Paraíba; tenho marcas no corpo do que foi ser criança coletando água de beber com uma cuia de cabaça em cacimbas no leito daquele rio que, muitas vezes, já havia secado... tentando cortar palma murcha para os animais (do gado bovino, caprinos e muares), muitos dos quais vi morrerem de sede e de fome e – nem queira saber – eu vi um agricultor, um homem, dentro de uma rede, morto... de fome e de sede! Por falta de água... Mas não foi isso – que já seria bastante – que me fez "estudioso e defensor da Transposição", não! Desde o dia que ouvi falar do Projeto São Francisco (década de 80), procurei conhecer, estudar, ir a palestras, participar de debates, assistir a programas e filmes e ler a respeito. Chega. Sou favorável e o defenderei até o último alento com a independência de quem não é do governo, não tem partido político, nem ligação com ONG, religião, sindicato, comércio, Clube de Serviço, nada! Lamentável não ter Poder e Força para utilizar os meios de comunicação: rádio, televisão e imprensa, o tempo todo, pra tratar abertamente da Transposição, defendendo-a, naturalmente. Apenas escrevo, falo e apareço, porém, na condição de "Dom Quixote esfarrapado", isto é, sem espada, cavalo ou assessor (Sancho Pança); felizmente, não me tem faltado uma página de jornal em PE, PB e AL, rádios de vez em quando me ouvem, a TV Cultura de SP me "levou" para um Roda Viva e, no mais, vivo atendendo a palestras em ambientes fechados ou abertos e, lá no Cariri, falei na igreja, perto da beira do Rio Paraíba! Naturalmente cobro cachê: 1 copo d’água durante cada evento. No ano passado fui convidado para um programa de 2 horas numa rádio do agreste, em Caruaru; estava convalescendo de uma cirurgia na coluna, não devia dirigir:
fui e voltei de ônibus sem aceitar pagamento de passagem, paguei-as eu próprio e fiquei agradecido.

Se pudesse, pagaria sempre que me pedissem para palestrar, debater, conceder entrevista e escrever em favor da salvadora Transposição de água do Rio São Francisco para o semi-árido do NE setentrional.

A título de auto-apresentação, creio que basta para você, homem inteligente, deduzir que não farei greve demagógica de nada, mas, se for preciso pagar tal custo para defendê-la, pagarei com minha vida, creia.
Objetivamente, pensei em analisar tópicos de sua autobiografia, porém, suponho que seria mais adequada uma conversa, frente a frente; minha maturidade me diz que aquelas convicções, de todos nós, oriundas da experiência pessoal natal, quase sempre resistem a qualquer ponderação lógica "contrária"; refiro-me, por exemplo – para citar só essa – ao que você informa em relação à limitação e pobreza da vida no Sítio Poço do Umbuzeiro, na Bahia, onde foi criança, que fica a 118 km da "metrópole" Petrolina-PE e a 48 km do Rio São Francisco! O fato de, diz você, "até o presente", não ter água nem energia elétrica é inadmissível! Só isso basta para se compreender porque, aos 14 anos, quase uma criança, foi-se "embora para Petrolina", trabalhar como ajudante de pedreiro! Tudo o mais sucedeu, felizmente com um desenlace surpreendente: você não se perdeu (nos vícios, na prostituição, no crime!); se salvou! Sem um ombro para ampará-lo, nem um par de ouvidos para escutá-lo e muito menos alguém para guiá-lo, protegê-lo. Quer saber, meu caro? Sua história equivale à de sertanejos e de caririzeiros, em geral, gente pobre, integrante da chamada "População Dispersa" que, você sabe, é o rótulo para mencionar, no meio rural, as famílias dos quase miseráveis que não vivem, como me disse um deles: "aqui a gente morre aos poucos...". É fácil saber: são casebres menores, mais distantes da estrada, de qualquer ponto onde haja água e de qualquer vizinho! Sítio Poço do Umbuzeiro - BA, sei agora, é o berço do Dr. Vitório Rodrigues de Andrade que, mesmo tendo perdido uma perna, anda mais e produz muito mais para os seus e para os outros, como cidadão, do que quem não sabe ser ele o tipo de cidadão de que esse País carece para ser imagem de uma família unida e não a caricatura imoral de hoje.

Se os lugares onde há fartura, de tudo, estiverem esterilizados, a ponto de não parirem mais brasileiros que acreditem nos princípios e, portanto, incapazes de lutarem mais bravamente do que pelos interesses, não importa: os sertanejos e caririzeiros sobreviventes de todo tipo de carência impedirão que ocorra uma "Pororoca Social" – guerra entre irmãos. O vaticínio do ex-Presidente João Figueiredo, dito a mim no Sítio do Dragão, em Nogueira-RJ, dado o nojo que tinha da maneira como se faz política no Brasil, não ocorrerá: com o nosso exemplo essa Pátria não irá se perder. Para isso, a Transposição é fundamental e Batalhões de Construção e Engenharia do Exército estão concretizando, modelarmente, o extraordinário embasamento das super bombas de recalque de água que, logo, logo, serão instaladas para acabar de vez com a extrema pobreza, o desumano sofrimento por fome e sede que, há mais de 5 séculos, milhares e milhares de famílias do semi-árido do NE setentrional padecem, injustamente. A água do São Francisco impedirá que plantações, animais e habitantes do Brasil morram de sede e de fome, porque, justamente eles, nascidos e criados nos sertões e nos cariris, têm destemor e coragem para impedir que o Brasil se afunde; basta que lhes garantam fartura de água, vale dizer: o direito de viver com dignidade. A Transposição não irá resolver o problema todo; mas, ao menos em relação ao semi-árido, por onde passarem os canais dos Eixos NORTE e LESTE, ninguém mais vai padecer fome nem sede; gente, animais e plantações, ninguém vai morrer por falta de água e, sobretudo, nenhum menino ou menina dali irá migrar para se perder no "oco do mundo". Porque nosso lugar é aqui, ou ali, onde a Transposição fará a mais esperada operação de salvação humanitária que nossa gente espera e merece. Você e eu, meu caro, comemos "o pão que o diabo amassou", mas não é justo ter que vencer pagando um preço tão alto: por um triz não nos perdemos de vez... Muitos de nós acabam sem poder contar história nenhuma, devido à falta de água lá onde foram, onde fomos, criados.

Saiba que não posso disfarçar. Esta não é a carta que eu estava escrevendo para você! Se não ficar "bem", paciência! A CULPA SERÁ SUA! Compreenda. Foi uma questão "metódica", isto é, se não tivesse lido antes o seu "currículo", escreveria objetivamente procurando responder a cada tópico e, eventuais menções pessoais de que eu discordasse, exporia meu ponto de vista, enfim, em relação à sua carta para o Dr. Otávio Carvalho. Não foi o que fiz... como você pôde sentir, deixei "rolar" minha reação de caririzeiro, "danado de raiva", que é como fico quando sei que alguém é contra a sagrada Transposição! Só perdôo devido a um pecado mortal: que a pessoa, esclarecida ou ignorante, não tenha lido e compreendido o Projeto (caso de todos os que enfrentei, até hoje, inclusive o ex-governador da Bahia, Sr. Paulo Souto, não por acaso um gentleman). Aqui, preciso cautela para não ser injusto e nem botar a perder uma oportunidade de descobrir mais um brasileiro que irá aprovar, defender
o Projeto São Francisco em geral e, em particular, a Transposição, nele integrada. Fica explicado porque esta carta ficou assim como está; queira recebê-la.

Farei o possível para tecer comentários meramente "clássicos" no sentido de correspondentes, isto é, para não deixar a impressão de que não considerei eventual ponto, aqui ou acolá. Interessante saber que o Dr. Otávio Carvalho é favorável à Transposição; que bom! Não quero apreciar coisas como, por exemplo, a eventual momentânea mudança denominativa do Projeto que você diz estar sendo "chamado pelo governo federal de Projeto de Integração de Bacias". Certa vez alguém me disse que o novo Ministro da Integração Nacional iria descartar a palavra "Transposição" e que os artigos para o site seriam submetidos a ele, que aprovaria, ou não, publicar... em vez de tal decisão permanecer com o jornalista da assessoria de comunicação. Fiquei de olho, mas acho que ele não tem "peito" pra matar a Transposição.

Muitas coisas oficiais irritam porque abusamos do desperdício e, no que diz às formalidades, a burocracia é o reino da falta de respeito... à Cidadania, ao Povo, que é Pai e Mãe do governo. No Brasil, tem-se a impressão de que o Povo é formado por pessoas, por gente, e que os componentes do governo, de todos os níveis, são compostos por OUTROS SERES! Aparentemente são pessoas, mas, na relação deles com os do Povo, se nota uma diferença bestial! Cada um dos componentes do governo, ao lidar com as pessoas do Povo, o faz como se o Povo fosse menor e o governo, MAIOR!

Como se o governo fosse um FIM e o Povo, um meio! É o contrário: o governo é menor e é meio; o Povo é Maior e é FIM. No Brasil ocorre uma aberração: os integrantes do governo, TODOS ELES, são paridos em nossas casas: são nossos pais, nossos irmãos, tios, filhos, mães, primos, colegas, amigos, conhecidos. Um dia, tornam-se governo e, caso se profissionalizem, FICAM DIFERENTES: viram a gota serena! Enquanto forem governo, coitado de algum do Povo que tiver de se relacionar com ele, ou com ela. Um dia isso vai acabar, pode crer! Isto acontece entre nós porque somos muito brutos, não estamos preparados. É urgente deixarmos de ser selvagens; desprezar o gosto por apitos e bugigangas (a demagogia) e nos atracarmos com a seriedade (a Democracia só dá certo onde se cultiva cidadania).

Concluindo: não quero ser, nem tenho o direito, neste caso, rude, mas, meu caro, há vários equívocos na sua abordagem ao Engenheiro Otávio Carvalho. Parece-me mais um desabafo do que, propriamente, uma crítica bem embasada; aquela bobagem que a VEJA publicou em 2001 não merece nem ser evocada... O Senador Fernando Bezerra era um desencorajado, a meu ver; eis que a Transposição, à época, poderia perfeitamente ter suas obras inauguradas. Não foram porque é isso que você sabe: no Brasil, ser político é ser frouxo e não ter compromisso com princípios, mas, apenas, com interesses. E você sabe quando vai mudar? Deixe-me dizer uma coisa: não há no mundo uma obra de transposição de água tão bem elaborada quanto a do Projeto de Integração e Revitalização do Rio São Francisco, o Projeto São Francisco. Essa versão dele é a de número 122! Do mesmo projeto! Aquele que o Eng. Tristão Franklin de Oliveira iria tocar pra frente, por ordem pessoal do Imperador Pedro II (se não tivessem derrubado o homem pouco depois)...

Graças à IFOCS – Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – e depois que Epitácio Pessoa assumiu a Presidência da República, foram edificadas "mil" barragens e o solo nordestino virou um "queijo suíço" de tanto que se perfurou procurando água. Nossa água "subterrânea" é pouca e muito ruim. A exceção é aquela bela "mancha" do Piauí e ali em Mossoró-RN, devido a uma falésia tectônica localizada. Em redor de ambas, uma meia dúzia de municípios não tem problema, está tudo resolvido! Nem parece que é NE. Mas e o semi-árido inteiro? Meu caro: o semi-árido setentrional é revestido de rochas pré-cambrianas! Uma bexiguenta de uma "pedra" que nem broca de diamante a perfura; no entanto, já ouvi gaiatos dizerem, berrando, que, quando chove, grande parte da água, ao escorrer, fica armazenada debaixo das rochas. E que é só perfurar. Tem gente que vai nessa. Chuva sobre superfície de milhares e milhares de km2 de rochas pré-cambrianas é o mesmo que não chover... ali não penetra nada.

Você se refere ao que sofrem os ribeirinhos do "Velho Chico"! Claro que eles sofrem, faz tempo. Sabe por quê? Pergunte, por gentileza, a cada vereador e a cada prefeito de cada município, de um lado e do outro do Rio São Francisco, por que aquelas populações passam tanta sede? Com aquele "riozão" escorrendo, o ano todo, desde que ele foi "inventado", botando cheias monumentais, de OUTUBRO a MARÇO de todos os anos, regularmente, e aquela gente não sabe o que é esgoto sanitário? Jogam tudo no rio. Coleta de lixo? Idem. E bujão de gás? Retiram a madeira das matas ciliares. Muitos, como os do Sítio Poço do Umbuzeiro-BA, nem energia elétrica têm! Se eles, políticos, falarem Português, das duas uma: vão mentir o tempo todo (que você, esclarecido que é, não aceitará); ou dirão a verdade e deverão ser postos a correr. Ou seja: alegar que o "rio está morrendo", que os projetos de irrigação serão prejudicados, que o volume de água a ser retirado (26m3/seg.) vai diminuir a produção de energia elétrica e outras bobagens mais são tão injustas quanto falsas. Nem vou citar os números da vazão mínima e nem do regime regular de suprimento de água pela Zona de Convergência do Atlântico Sul.

Meu caro, leia o Projeto. De preferência, com um engenheiro da obra junto de você. E vá ver o que o Exército já construiu! É para se emocionar. Não há nada igual no mundo inteiro, acredite! Outra coisa: não é obra deste governo! Ele teve, e tem, o mérito de tê-la mandado executar. Surpreendeu, porque, no País do desperdício, governante que entra não termina obra de governante que sai; nem que seja da mãe! Daqui a menos de 2 anos, já o disse: o Eixo LESTE vai perenizar o Rio Paraíba. Esse Presidente vai virar santo! Não o conheço, mas não é preciso. Nossa história não teve ninguém igual a esse "Nove dedos"!

Você quer saber como é que se resolverá o problema da falta de água no Polígono das secas? Quando for possível transpor água do rio Tocantins para o Rio São Francisco, através do Jalapão. Quando? Daqui a mais uns 80 anos.

Foi um prazer conhecê-lo. Mais uma vez, meus cumprimentos pelo belo exemplo pessoal.

Fernando Valença

Livro TRANS.POSIÇÃO.FRANCISCO

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Esta é a carta que enviei ao engenheiro civil da CODEVASF, Otavio Carvalho, sobre minha posição em relação ao projeto de tramsposição do rio São Francisco. respondida pelo advogado e jornalista Fernando Valença da folha de Pernambuco, publicada no livro:TRAS.POSIÇÃO.FRANCISCO (capa acima) da ANNABLUME Editora e Comunicação de São Paulo
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Petrolina – PE, 22 de novembro de 2008

Caro Dr. Otávio Carvalho

Venho através desta, cumprimentá-lo pelo reconhecido trabalho que você tem desenvolvido na área da engenharia civil desde os anos 70 e pela sua competência reconhecida no comando do projeto de irrigação do vale do Salitre. Sempre fui seu admirador pela sua luta, pelo seu desempenho profissional, mas agora depois que tive acesso a sua biografia enviada pela Marcia Vaitsman, minha admiração por você só aumentou, pois você demonstra muita humildade e perseverança na luta para superar as adversidades que a vida lhe ofereceu. Sei que no campo profissional somos divergentes em alguns pontos de vista, principalmente quando se trata do Projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco para a bacia do Nordeste Setentrional. Hoje chamado pelo governo federal de Projeto de Integração de Bacias. Embora respeitando sua posição favorável ao projeto em questão, para mim continua sendo projeto de transposição. Pois entendo que a mudança de nome não mudará os efeitos. Projeto esse que vem se arrastando de edição em edição desde 1847 quando o intendente do município do Crato – CE e, deputado provincial, Marco Antonio de Macedo idealizou tirar água do São Francisco e levar para a bacia do Jaguaribe. Em 1852, D. Pedro II contratou o engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld para fazer estudo do vale do São Francisco, sobre a navegabilidade, onde no relatório foi sugerido também um projeto de transposição. Em 1856 Otávio, essa mesma proposta foi analisada com detalhes pelo Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, mas em 1877 ocorreu uma grande seca que teve como resultado a morte de cerca de 500 mil pessoas, fato esse, que desestabilizou o império e o projeto não saiu do papel. Em 1886, mais um projeto foi elaborado pelo engenheiro Trist Franklin e foi mais um que não deu certo. A alegação do projeto ter fracassado foi atribuída a dificuldades técnicas e financeiras. Em 1906, o engenheiro e escritor Euclides da Cunha sob o argumento de que o Nordeste só poderia se desenvolver com maior garantia de água, a idéia voltou à tona com mais uma proposta de projeto que implodiu.
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Depois de ficar anos a fio socado nos fundos das gavetas governamentais, na década de oitenta do Século passado, ganha consistência e insistência. Entre 1981 e 1985 o Departamento Nacional de Obras e Saneamento propôs uma derivação de 300 m3/s de água do São Francisco. Até aí meu caro Otávio, pouca gente sabia algo sobre transposição, mas em 1996, nasceu uma nova proposta para transpor as água do “Velho Francisco” de forma diferente. Fazendo as verdadeiras interligações de bacias hidrográficas. Aquele que seria o PROJETO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO SÃO FRANCISCO E DO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO. Apresentada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba-CODEVASF, foi considerada à proposta menos danosa, pois nela previa a regularização da bacia, na tentativa de inserir-se nas diretrizes e objetivos governamentais para a região, como parte do compromisso firmado pela vida do São Francisco na ECO 92 para a Agenda 21.


Sabemos que a vazão do Velho Chico, na barragem de Sobradinho, naquela época já girava em torno dos 2.060 m3/s, quase completamente comprometidos com a geração de energia e com a irrigação. A minuta do projeto da Codevasf propunha a transposição das águas excedentes das bacias limítrofes do Tocantins e do Paraná por meio da bacia do rio São Marcos, trazendo para a bacia do São Francisco 650 m3/s através de canais e túneis e mais 180 m3/s, vindos das barragens de regularização, que seriam construídas nos afluentes perenes do Velho Chico. Isso foi previsto para garantir a distribuição de água para usos múltiplos em todo o Vale. Dessa forma cerca de 3.700 km de canais e reservatórios interligados seriam abastecidos com águas captadas no São Francisco a partir dos Lagos de Sobradinho, Itaparica e Xingó e também na cidade de Cabrobó-PE, sem oferecer riscos ao rio. As águas seriam distribuídas com os estados de Pernambuco, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A proposta previa a implantação do projeto em etapas ao longo de 30 anos, até 2020 e tinha como meta proporcionar a melhoria de vida de cerca de trinta milhões de habitantes, com incremento de um milhão e seiscentos mil hectares de terras irrigáveis no Nordeste. A parte mais importante dessa proposta foi à preocupação dos técnicos em colocar a revitalização da bacia do São Francisco como parte integrante do projeto. Mas infelizmente o governo da época não estava disposto a colocar a revitalização como prioridade. Por isso a proposta foi engavetada sem se quer entrar em discussão no Congresso Nacional.

Acho que você lembra amigo Otávio, que nos anos de 2000 e 2001, o Ministério da Integração Nacional, apresentou aos ribeirinhos do São Francisco, duas propostas de projetos no valor de três bilhões de reais cada, sendo uma para transpor as águas do “Tio Chico” para o Nordeste Setentrional e outro para a revitalização hidroambiental de sua bacia hidrográfica. Mas o Velho Chico certamente para se defender ameaçou secar. Lembra? E com isso o projeto mais uma vez foi para as gavetas do Ministério. Daí veio a ressurreição do projeto de revitalização, não mais com a proposta dos 3 bilhões apresentado anteriormente e sim, com apenas 1,2 bilhões para ser investido num período de 10 anos de 2001 a 2010. Reconheço que nesses últimos anos, alguma coisa tem sido feita, como ações pontuais no reflorestamento das margens e saneamento ambiental em algumas cidades localizadas na bacia. Mas não o suficiente para garantir a total revitalização prometida. Não sei se você lembro amigo Otavio, mas o ministro da Integração Nacional da época, Sr. Fernando Bezerra, fez para a revista VEJA, edição de 28 de fevereiro de 2001 a seguinte comentário: “A revitalização será feita, pois tirar água de um rio que está morrendo é jogar um monte de dinheiro fora”. Ele estava certo, mas continuou insistindo em tocar o projeto para frente.

Segundo a proposta do projeto (2001), a transposição não comprometeria o equilíbrio ambiental, o nível do rio, e, muito menos a qualidade de vida dos ribeirinhos e, ainda haveria um ganho imenso para as populações da bacia do Norte/Nordeste. Disto eu nunca duvidei, entretanto, o projeto não explica como ficaria a situação dos ribeirinhos que vivem nas margens deste rio, sentindo a brisa de suas águas e passando sede nas épocas de estiagens. Essa população, para não morrer de sede ou abandonar suas terras, cava buracos com enormes prufundidades em busca de água e nem sempre a encontra de boa qualidade para suprir suas necessidades. Ou então fica a mercê de carros pipas enviados pelo governo que nem sempre aparecem suficientemente para atender as demandas.

Em 2004, volta à tona e o projeto ganha cara nova. Desta feita passa a se chamar “Projeto São Francisco”. Nesse, o Presidente Lula quis acrescentar pelo menos mais cinco canais em relação ao projeto do governo anterior, sete barragens e sistemas para vencer desníveis, pelos caminhos para transpor cerca de 64 m3/s. Para isso a obra demoraria 12 anos e custaria aos cofres públicos 19 bilhões de reais. Ainda em 2004, o governo tentou obter licenciamento ambiental para dois desses canais e iniciar as licitações e destinou para a obra até 2007 2,5 bilhões de reais do Orçamento Geral da União.

De tudo foi feito um pouco para nos convencer de que esse projeto é inofensivo. Só não entendo é porque o Relatório de Impactos ao Meio Ambiente - RIMA, feito pelos técnicos do governo aponta pelo menos 44 impactos, dos quais, apenas 12 são positivos, os demais são negativos. Mesmo assim, se o Presidente Lula garantia veementemente que a transposição das águas do São Francisco para a bacia do Nordeste Setentrional começaria mesmo em 2005. Não começou, mas persistiu na idéia durante todo seu primeiro mandato, se utilizou de todos os meios para iniciar as obras, mas não conseguiu. Várias ações na justiça impetradas pelos movimentos populares, o IBAMA não conseguia liberar a Licença Prévia, O bispo de Barra-BA dom Luis Flávio Cáppio fez greve de fome, mas o Presidente Lula não desistiu.

No final do primeiro semestre de 2007, o Exercito montou acampamento em Cabrobó, como você mesmo sabe, e começou as primeiras escavações da obra. Os movimentos populares com o apoio de diversas entidades, paralizaram as obras. Mas o governo conseguiu a reintegração de posse da área e a obra continua.

Olha Otavio, muitas propagandas são divulgadas em torno desse projeto, eles dizem que é apenas “um pouco d’água para quem tem sede”. Que bom se fosse apenas isso. Levar água para o consumo humano e a dessedentarão animal via adutora seria mais do que justo, mas o projeto não conseguem explicar porque os dutos para levar esse “pouco” d’água têm que ser canais de vinte e cinco metros de Largura por cinco de profundidade. E a matemática utilizada, então, é inacreditável. No Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do São Francisco, aprovado pelo Comitê consta que, de um total alocável de 360 m³/s, 335 m³/s já se encontram outorgados para os múltiplos usos na própria bacia, restando apenas 25 m³/s. Mas o governo insiste em transpor um volume entre 26 e 127 m3/s. Para isto, terá que cancelar as outorgas existentes e outros investimentos que demandem água na bacia. E nossos netos e bisnetos vão ficar privados de seus empreendimentos por falta d’água, na beira do rio São Francisco? O projeto prevê retirada mínima de 26 m3/s ou 26 mil litros por segundo e máxima: 127 m3/s ou 127 mil litros por segundo.

Queremos deixar claro que nossa resistência gira em torno de incoerências do projeto e do governo, desrespeitando a Natureza e sem um planejamento adequado, não fez e não exigiu que fizessem um estudo criterioso, e, dessa forma condenam irremediavelmente o Velho Chico que há séculos vive sendo agredido: com os desmatamentos que praticamente já foi destruída toda sua vegetação nativa que compunha as matas ciliares, salinização dos solos das áreas irrigadas, ativando o processo de desertificação no Vale; com o uso indiscriminado de agroquímicos na agricultura, cujos resíduos (a maioria cancerígenos) são despejados em suas águas; com o assoreamento pela perda de suas mata ciliares, enfim, com a transformação do rio em esgoto de indústrias, lixeira e escoadouro de matérias fecais ao longo de seu curso.

São por estas razões que me posiciono contrário a esse projeto, pois entendo que ele precisa ser rediscutido e reavaliado criteriosamente os indicadores que apontam impactos terrivelmente negativos, embora não desconheça seus impactos positivos, mas que esse é o tipo de projeto que “suas qualidades não cobrem seus defeito”. Assim sendo, permita-me com todo respeito, pedir-lhe que reflita mais sobre sua posição favorável ao projeto em epigrafe. O rio São Francisco e a Natureza agradecem.

Sem mais para o momento, agradeço-lhe antecipadamente pela atenção dispensada para uma causa tão nobre.

Atenciosamente

Vitorio Rodrigues de Andrade
Petrolina-PE

Depois vou publicar a resposta dada por Fernando Valença, que não poupou as alfinetadas, pois ele é a favor do projeto da forma como está sendo executado. Como se trata de um debate a tréplica virá, não tenham dúvidas.

Semana Nacional do Livro



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Você sabe por quê comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de Outubro ?Procure a UBE- União Brasileira de Escritores de Petrolina- Sala Aparicio Lima, na Biblioteca Municipal de Petrolina, e participe em parceria com a mesma da SEMANA DO LIVRO.




A partir de Segunda -feira dia 26 de Outubro, até Sexta dia 30. Das 09:h às 11:h e das14:h às 20:h Conferência sobre produção literária contemporânea em Petrolina e Juazeiro, sexta-feira dia 30 das 8:h às 12:h no auditório da Biblioteca Municipal de Petrolina. VAMOS LER E LER




Vamos comemorar este dia presenteando para um amigo ou para si mesmo um livro, lembrando que o mesmo é a base de todo o nosso saber e Cultura.Na programação desta semana, estaremos fazendo exposição de livros de autores do Vale, recebendo doações de livros literários, realizando exibições de Vídeos, debates literários e sorteios de brindes surpresas no dia 29 de Outubroàs 20:h,DIA NACIONAL DO LIVRO . Participe!!! Lembre-se que sem o livro não existiria evolução, e que ele traz conhecimento humano e a liberdade de dizer quem somos. Venha então acender as velas para este mais valioso presente que a humanidade já criou.

VIVA O LIVRO !!!! VIVA A LEITURA !!!!




A UBE- Petrolina, vai funcionar na Sala Aparicio Lima, nos seguintes dias e horários:


Segunda- Feira, Terça e as Quartas no horário de 9 da manhã às 11hTodas as Tardes a partir das 13 até as 19hReuniões de quinze em quinze dias - A próxima será dia 31 de Outubro no horário de 10:h ao meio dia.Havendo nescessidades funcionaremos em outros horários e dias solicitados pelos contatos; 74- 88190457, 74-88073601, 87-99889327.





Equipe de Paraesporte dá um show em Recife

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A delegação dos atletas com deficiência de Petrolina participou de 15 a 18 de outubro em Recifedas Finais da XV edição do Para esporte Pernambuco. Com grande exemplo de superação e de capacidade os atletas de Petrolina sagraram-se vencedores nas seguintes modalidades:



1º lugar
Futsal (Auditivo)
Futebol (Mental)
Atletismo (Intelectual Geral)


2º lugar
Atletismo (Visual)
Atletismo (Auditivo)
Natação (Auditivo)


3º lugar
Natação (Físico)
Tênis de mesa (Auditivo)


Medalhas


Inúmeras medalhas foram conquistadas nas diversas modalidades.

Os atletas do nosso município contaram com o apoio da Prefeitura Municipal de Petrolina
através da Secretaria Municipal de Acessibilidade que busca incluir todas as Pessoas com
Deficiência em todos os segmentos da sociedade, e a Secretaria Municipal de Educação.

Para o Secretário de Acessibilidade Marcos Conceição; “Uma conquista como esta vem provar
que todos nós somos capazes, desde que nos dêem oportunidade...”.

Natanael Barros coordenador do Paraesporte em nosso município declara: “Ser um trabalho
muito gratificante, mas a falta de apoio principalmente da iniciativa privada ainda está a desejar...”




Livro Tras.Posição. Francisco

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Senhores participantes deste blog, se encontra a venda na internet o livro TRAS. POSIÇÃO. FRANCISCO, lançado pela ANABLUME Editora Comunicação de São Paulo. Dele, participam como debatedores através de cartas cruzadas: Eu, (Vitorio Rodrigues), Dr. Otavio Carvalho da Codevasf, Frei Gilvender Moreira de Belo Horizonte e o jornalista Fernando Valença da Folha de Pernambuco. É uma produção de primeira linha da disposição de interessados no sit
http://www.annablume.com.br ou televendas:3031-1754 ou fax. 011.3812-6764 São Paulo.
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Rio São Francisco, 508 anos de degradação

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A história oficial do Brasil da conta de que o rio São Francisco foi descoberto no dia 04 de outubro de 1501, quando da exploração da costa brasileira por André Gonçalves e Américo Vespúcio, data alusiva ao santo peregrino italiano, São Francisco de Assis. Américo Vespúcio também era italiano, mas navegava no oceano Atlântico a serviço de Portugal, quando ele encontrou a foz do rio os nativos o chamavam de OPARÁ (rio-mar), depois foi chamado também de “PARANAPETINGA” (Paraná=peixe miúdo usado como isca, Petinga=braço de rio caudaloso separado por uma ilha)”.

Como naquela época era costume da Igreja Católica batizar pessoas observando o nome do santo do dia, Américo Vespúcio seguiu o mesmo hábito batizando tudo que ia descobrindo com o nome do santo do dia. Por isso, rebatizou o velho OPARÁ com o nome de Rio São Francisco, pois, além da força do hábito o santo padroeiro da ecologia também era seu conterrâneo.

Os tempos passaram e o velho OPARÁ ou São Francisco, foi ganhando outros nomes, por carinho dos seus ribeirinhos, pela sua importância econômica e por sua beleza. Primeiro chamaram-no de “rio dos currais”, pelos seus primeiros desbravadores portugueses, comandados por Garcia D’Ávila; depois “Nilo brasileiro” por J.V.Couto; “Rio da Unidade Nacional”, por Capistrano de Abreu; “Linha de Comunicação”, segundo Burton; “Grande Caminho da Civilização Brasileira”, por João Ribeiro; “Rio da Redenção Econômica”, pelo ex-presidente Emilio Garrastazu Médici, ou simplesmente “Chicão” como é chamado até hoje carinhosamente pelos seus barranqueiros.

Todo o carinho que um ser humano pode dispensar a alguém é pouco para retribuir o que o Velho Chico nos oferece. Só que poucos lembram desse detalhe, principalmente aqueles que mais precisam dele para tirar o seu sustento e o de sua família. A maioria só o destrói impiedosamente. Lamentamos profundamente que tenham acumulado tantos problemas que ofuscam a beleza e as potencialidades do rio São Francisco. Se aparecer alguém disposto a lhe atribuir mais um nome, que seja hoje, “rio da preocupação nacional”, para que no futuro não tenhamos que lhe atribuir outro ainda mais doloroso: “rio da desintegração nacional”.

O rio São Francisco tem sua história bastante fragmentada. Muitos fatos importantes não foram sequer registrados e muitos que o foram não existem nem em cartórios, pois foram extraviados pelas traças e pelos homens.

Pobre São Francisco, 508 anos se passaram e nada a comemorar. Roubaram suas matas ciliares para transformá-las em lenha, madeira e carvão. Deixando suas margens descobertas vulneráveis a ação das chuvas, dos ventos e de suas próprias águas, que em virtude dessa vulnerabilidade vem às erosões de suas margens e conseqüentemente o carreamento dos sedimentos para sua calha provocando o assoreamento e o deixando cada vez mais largo e raso, reduzindo drasticamente sua capacidade de armazenamento. Segundo estudo realizado pelos cientistas do National Center for Atmospheric Rosearch (NCAR), publicado em julho deste ano, a redução do volume de suas águas nos últimos 50 anos foi de 35% (trinta e cinco por cento).

Cidades e mais cidades foram construídas e jogam diariamente dezenas de toneladas de lixo e esgotos sem tratamento em seu leito e de seus afluentes, contaminando suas águas de forma irracional e irresponsável.

Barragens que são construídas em nome do progresso, destroem flora, fauna e a identidade de seus ribeirinhos, deixando-os perdidos no mundo sem historia.

Projetos de irrigação com tecnologias arcaicas continuam funcionando em suas margens, usando água em excesso configurando, além do desperdício, a salinização dos solos e o comprometimento da qualidade de suas águas para o consumo humano em diversas áreas, pelo uso indiscriminado dos agroquímicos.

Como se não bastasse, a obra da transposição de suas águas para o Nordeste Setentrional segue a todo vapor. Um projeto anunciado como a salvação do Nordeste, poderá ser o golpe fatal do rio São Francisco. Não sou o dono da verdade, mas é Isto que eu penso, até que alguém me prove ao contrário. Por estas e outras razões, não vejo o que comemorar neste dia 04 de outubro de 2009 no aniversário de descobrimento do rio São Francisco.


Vitorio Rodrigues de Andrade
Ambientalista/Comunicador Social
Petrolina-PE

Prefeito Júlio Lóssio inaugura usina de projetos

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O prefeito Júlio Lóssio, inaugurou na tarde de ontem, uma nova ferramenta para integralizar e intersetorializa as politicas publicas de forma que as ações possam acontecer de maneira integrada e envolvendo o máximo de secretarias na execução dos projetos e programas. O setor está sendo chamado de USINA DE PROJETOS e contará com o envolvimento de profissionais das diversas áreas.

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A equipe será formada por 08 agentes de convênios, das áreas de Economia, Administração, contabilidade, Direito e Assistência Social. Contará também, com 04 arquitetos, 02 engenheiros, 01cadista (técnico em edificações), 02 topógrafos, 02 assistentes sociais e 01 psicóloga. O equipamento está instalado na Secretaria de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente.
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