..Os padrões médios mundiais de múltiplo consumo indicam que neste século XXI será de 2.736 l/hab/dia, caso não sejam adotadas medidas enérgicas no sentido de minimizar as ações degradatórias como: desperdício, poluição, contaminação e aprofundamento dos lençóis freáticos poderá haver um esgotamento da potencialidade superficial até o ano 2053, considerando os fatores já citados e o crescimento populacional na razão geométrica de 1,6% ao ano. Já se encontram na faixa de escassez hídrica o Kuait, Arábia Saudita, Líbia, Egito, Barbados, Tailândia, Jordânia, Singapura, Israel, Cabo Verde, Burundi, Argélia e Bélgica. As preocupações poderão se estender ao México, Hungria, Índia, China, Estados Unidos, Etiópia Síria e Turquia.
As águas consumidas no mundo hoje estão divididas entre as áreas de consumo domestico (10%), consumo industrial (25%) e irrigação (65%. Em todas as áreas de consumo o desperdício é da ordem de 40% das águas retiradas dos mananciais, na produção de bens de consumo o gasto também é muito grande. Segundo o Movimento de Cidadania Pelas Águas para se produzir um bem de consumo se gasta as seguintes quantidades de água: 1.000 quilos de pães, a partir do plantio do trigo passando pelo beneficiamento até chegar a nossa mesa consome 1.000 m3 de água; Para produzir um barril de derivado de Petróleo da extração ao beneficiamento e venda são gastos 290 m3 de água; uma tonelada de tecido a partir do plantio do algodão até se transformar em roupa, são gastos 1.000 litros de água. E assim sucessivamente. E todo esse consumo é debitado em nossa conta a partir do momento que compramos os produtos produzidos através da divisão “per capita”, quando soma-se a água que usamos diariamente para beber, tomar banho, lavar roupas, cozinhar e outras finalidades a fatia por habitante dia é de 2.736 litros.
O Brasil é privilegiado. A quantidade de água doce que corre pelos rios e acumulada nos lagos corresponde a aproximadamente 248 mil km3 e mais cerca de 112 mil km3 nos lençóis subterrâneos. Esta ultima é suficiente para abastecer a população do país por 9.150, anos caso não sejam poluídas, contaminadas ou salinizadas. Nesse total estão incluídas as águas do Aqüífero Guarani localizado no centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e 47º e 65º de longitude oeste. A maior reserva de água subterrânea do planeta. São mais oumenos 160 km3/ano (5.144 m3/s), ou seja, duas vezes e meia a vazão do rio São Francisco, dos quais 70% está localizado no Brasil.
”O Aqüífero Guarani tem extensão total aproximada de 1,2 milhões de km2, sendo 840 mil km2 no Brasil (corresponde a 70% da reserva), 225,500 mil km2 na Argentina, 71,700 mil km2 no Paraguai e 58,500 km2 no Uruguai. A porção brasileira integra o território de: Mato Grosso do Sul (213.200 km2), Rio Grande do Sul (157.600 km2), São Paulo (155.800 km2), Paraná (131.300 km2), Goiás (55.000 km²), Minas Gerais (51.300 km2), Santa Catarina (49.200 km2) e Mato Grosso (26.400 km2). As reservas permanentes de água são da ordem de 45.000 km3 (ou 45 trilhões de metros cúbicos), considerando uma espessura média aqüífera de 250m e porosidade efetiva de 15%, e correspondem à somatória do volume de água de saturação do Aqüífero mais o volume de água sob pressão”. (3)
As águas ocorrem preenchendo espaços (poros e fissuras de rochas). As rochas do Guarani constituem-se de pacotes de camadas arenosas que se depositaram na Bacia do Paraná, ao longo do Mesozóico (períodos triássico, jurássico e cretáceo inferior), entre 200 e 132 milhões de anos. A espessura das camadas varia de 50 a 800 metros, com prufundidades que chegam até 1.800 metros, as temperaturas são muito elevadas, vão de 50ºC a 85ºC, Aqüífero Guarani As águas doces do Brasil correspondem a 20% de toda a água doce do mundo. As águas no Brasil são mal distribuídas, principalmente as superficiais; As regiões Norte e Centro-oeste habitam apenas 14,5% da população brasileira e uma demanda de 9,2% detêm 89% da disponibilidade hídrica do país. 11% se distribui pelas demais regiões (nordeste, sul e sudeste), onde vivem 85,5% da população brasileira e a demanda hídrica de 90,8%.
O nordeste disponibiliza hoje de cerca de 97,3 bilhoes de m3/ano de águas, destes 92,9 bilhoes são de águas superficiais, sendo 87,4 bilhoes oriundas de rios perenes, só o São Francisco responde por 64,4 bilhoes de m3 de água/ano(69%) da disponibilidade de águas superficiais. O nordeste ainda conta com três trilhões de m3 de águas subterrâneas que estão acumuladas no aqüíferos chamados de províncias. No nordeste são quatro dessas províncias; A Parnaíba, São Francisco, Escudo Oriental e Costeira. As reserva dessas províncias são capazes de abastecer a população nordestina durante 862 anos.
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